1. Raízes bíblicas da
Escola Dominical.
O ENSINO DA PALAVRA
DE DEUS NOS TEMPOS BÍBLICOS
Embora seja uma
instituição relativamente moderna, as origens da Escola Dominical remontam aos
tempos bíblicos. Haveremos de descortiná-la nos dias de Moisés, nos tempos dos
reis, dos sacerdotes e dos profetas, na época de Esdras, no ministério terreno
do Senhor Jesus e na Primitiva Igreja. Não fossem esses inícios tão longínquos,
não teríamos hoje a Escola Dominical.
1. Nos dias de
Moisés. Além de promover o ensino nacional e congregacional de Israel, Moisés
ligou muita importância à instrução doméstica. Aos pais, exorta-os a atuarem
como professores de seus filhos: "E estas palavras, que hoje te ordeno,
estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado
em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te" (Dt
6.7).
As reuniões públicas
recebiam igual incentivo: "Congregai o povo, homens, mulheres e
pequeninos, e os estrangeiros que estão dentro das vossas portas, para que
ouçam e aprendam, e temam ao Senhor vosso Deus, e tenham cuidado de cumprir
todas as palavras desta lei; e que seus filhos que não a souberem ouçam, e
aprendam a temer ao Senhor vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra
a qual estais passando o Jordão para possuir" (Dt 31.12,13).
2. No tempo dos reis,
profetas e sacerdotes. Vários reis de Judá, estimulados pelos profetas,
restauraram o ensino da Palavra de Deus, encarregando desse mister os levitas.
Eis o exemplo de Josafá: "No terceiro ano do seu reinado enviou ele os
seus príncipes, Bene-Hail, Obadias, Zacarias, Netanel e Micaías, para ensinarem
nas cidades de Judá; e com eles os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael,
Semiramote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tobadonias e, com estes levitas, os
sacerdotes Elisama e Jeorão. E ensinaram em Judá, levando consigo o livro da
lei do Senhor; foram por todas as cidades de Judá, ensinando entre o povo"
(2 Cr 17.7-9).
O bom rei Josafá
incumbiu vários príncipes do ensino da Lei de Deus. Que iniciativa maravilhosa!
Príncipes a serviço da educação! Se os governantes de hoje lhe seguissem o
exemplo, tenho certeza de que o mundo haveria de vencer todas as suas
dificuldades. Infelizmente, os poderosos não desejam que seus filhos tenham as
luzes do saber divino. Aos pastores, todavia, cabe-nos promover a educação da
Palavra de Deus a fim de que, brevemente, possamos mudar os destinos desta
nação.
3. Na época de
Esdras. Foi Esdras um dos maiores personagens da história hebréia. Entre as
suas realizações, acham-se o estabelecimento das sinagogas em Babilônia, o
ensino sistemático e popularizado da Palavra de Deus na Judéia e, de acordo com
a tradição, o estabelecimento do cânon do Antigo Testamento. Provavelmente foi
ele também o autor dos livros de crônicas, Neemias e da porção sagrada que lhe
leva o nome.
Nascido em Babilônia
durante o exílio, viria a destacar-se como escriba e doutor da Lei (Ed 7.6). No
sétimo ano de Artaxerxes Longímano (458 a.C.), recebe ele a autorização para
transferir-se à terra de seus antepassados. Acompanham-no grande número de
voluntários, que, consigo, trazem dinheiro e material para reerguer o templo e
restabelecer o culto sagrado.
Segundo a tradição
judaica, a sinagoga foi estabelecida por Esdras durante o exílio babilônico.
Como estivessem os judeus longe de sua terra, distantes do Santo Templo e
afastados de todos os rituais do culto levítico, Esdras, juntamente com outros
escribas e eruditos, resolvem fundar a sinagoga. Funcionava esta não somente
como local de culto como também servia de escola às crianças. Foi justamente no
âmbito da sinagoga que a religião hebréia pôde manter-se incontaminada numa
terra que era a mesma idolatria.
A Escola Dominical,
como hoje a conhecemos, tem muito da antiga sinagoga. Dedicam-se ambas ao
ensino relevante e popularizado da Palavra de Deus.
Já na Terra de
Promissões, Esdras continuou a ensinar a Palavra de Deus aos seus
contemporâneos. Em Neemias capítulo oito, deparamo-nos com uma grande reunião
ao ar livre:
Então todo o povo se
ajuntou como um só homem, na praça diante da porta das águas; e disseram a
Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha
ordenado a Israel. E Esdras, o sacerdote, trouxe a lei perante a congregação,
tanto de homens como de mulheres, e de todos os que podiam ouvir com
entendimento, no primeiro dia do sétimo mês.
E leu nela diante da
praça que está fronteira à porta das águas, desde a alva até o meio-dia, na
presença dos homens e das mulheres, e dos que podiam entender; e os ouvidos de
todo o povo estavam atentos ao livro da lei.
"Esdras, o
escriba, ficava em pé sobre um estrado de madeira, que fizeram para esse fim e
estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Ananías, Urias,
Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum,
Hasbadana, Zacarias e Mesulão. E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo
(pois estava acima de todo o povo); e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé.
Então Esdras bendisse ao Senhor, o grande Deus; e todo povo, levantando as
mãos, respondeu: Amém! amém! E, inclinando-se, adoraram ao Senhor, com os
rostos em terra.
"Também Jesuá,
Bani, Serebias, Jamim, Acube; Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias,
Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas explicavam ao povo a lei; e o povo estava
em pé no seu lugar. Assim leram no livro, na lei de Deus, distintamente; e
deram o sentido, de modo que se entendesse a leitura".
Como seria
maravilhoso se as igrejas, hoje, se reunissem ao ar livre para ler e explicar a
Palavra de Deus! Creio que muitos de nossos problemas seriam definitivamente
solucionados, e já estaríamos a viver um grande avivamento.
4. No período do
ministério terreno do Senhor Jesus. Foi o Senhor Jesus, durante o seu
ministério terreno, o Mestre por excelência. Afinal, Ele era e é a própria
sabedoria. Nele residem todos os tesouros do conhecimento (Cl 2.3).
Clemente de
Alexandria considerava Jesus o Educador por excelência: "O guia celestial,
o Verbo, uma vez que começa a chamar os homens à salvação... cura e aconselha,
tudo ao mesmo tempo. Devemos chamá-lo, então, como um único título: Educador
dos humildes. Como ousaremos tomar para nós mesmos, como indivíduos e como
Igreja, o título que corresponde somente a ele?"
Era o Senhor admirado
por todos, porque a todos ensinava como quem tem autoridade e não como os
escribas e fariseus (Mt 7.29). Em pelo menos 60 ocasiões, é o Senhor Jesus
chamado de Mestre nos evangelhos. Pode haver maior distinção que esta? Isto,
contudo, era insuportável aos doutores da Lei, escribas e rabinos, pois não
tinham condição de competir com o Filho de Deus.
Jesus não se limitava
a ensinar nas sinagogas. Ei-lo nas casas, nas mais esquecidas aldeias, à beira
mar, num monte e até mesmo no Santo Templo em Jerusalém. Ele não perdia tempo;
sempre encontrava ocasião para espalhar as boas novas do Reino de Deus.
Ele curava os
enfermos e realizava sinais e maravilhas. Mas, por maiores que fossem suas
obras, jamais comprometia Ele o ministério do ensino. Antes de ascender aos
céus, onde se acha à destra de Deus a interceder por todos nós, deixou com os
apóstolos estas instruções mais que explícitas: "Portanto ide, fazei
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do
Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho
mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos
séculos" (Mt 28.19.20).
5. Na Igreja
Primitiva. Do que Lucas registrou em Atos dos Apóstolos, é fácil concluir: os
discípulos seguiram rigorosamente as ordens do Senhor Jesus Cristo. Ensinaram
Jerusalém, doutrinaram toda a Judéia, evangelizaram Samaria, percorreram as
regiões vizinhas à Terra Santa. E, em menos de 30 anos, já estavam a falar do
Senhor Jesus Cristo na capital do Império Romano "sem impedimento
algum" (At 28.31). Se a Igreja cresceu, cresceu ensinando a Palavra de
Deus a toda a criatura; se expandiu, expandiu-se evangelizando e discipulando.
Sem o magistério do Evangelho, inexistiria a Igreja de Cristo.
O ENSINO DA PALAVRA
DE DEUS NO PERÍODO POSTERIOR AO NOVO TESTAMENTO
Antes de sumariarmos
a história da Escola Dominical, faz-se mister evocar os grandes vultos do
período pós-apostólico que muito contribuíram para o ensino e divulgação da
Palavra de Deus.
Como esquecer os chamados
pais da Igreja e quantos lhes seguiram o exemplo? Lembremo-nos de Orígenes,
Clemente de Alexandria, Justino o Mártir, Gregório Nazianzeno, Agostinho e
outros doutores igualmente ilustres. Todos eles magnos discipuladores.
Agostinho, aliás, tinha uma exata concepção da tarefa educativa da Igreja:
"Não se pode prestar melhor serviço a um homem do que conduzi-lo à fé em
Cristo; em consequência, nada há mais agradável a Deus do que ensinar a
doutrina cristã".
E o que dizer do Dr.
Lutero? O grande reformador do século XVI, apesar de seus grandes e inadiáveis
compromissos, ainda encontrava tempo para ensinar as crianças. Haja vista o
catecismo que lhes escreveu. Calvino e Ulrico Zwinglio também se destacaram por
sua obra educadora.
Foram esses piedosos
servos de Cristo abrindo caminho até que a Escola Dominical adquirisse os
atuais contornos.
ANDRADE.
Claudionor Corrêa de. Manual Do
Superintendente Da Escola Dominical. Editora CPAD. pag.16-20.
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