Dhiraji Devi tenta provar nos tribunais que está viva.
Milhares de pessoas têm sido
declaradas mortas na Índia em meio a um esquema de corrupção que envolve
oficiais de cartório e parentes das vítimas.
No Estado de Uttar Pradesh, no Norte da Índia,
há indícios de que parentes de proprietários de terras estejam
subornando autoridades para que emitam certidões de óbito falsas de
familiares e possam, assim, se apoderar de suas propriedades.
A fotógrafa Arkadripta Chakraborty
documentou o drama de alguns indianos que enfrentam ou já enfrentaram
longas batalhas judiciais para provar que estão vivos.
Gupta foi declarado morto pelo irmão e perdeu casa herdada de ancestrais.
Entre eles está Lal Bihari Yadav, de 61 anos. Ele foi declarado morto aos 15 anos e perdeu sua terra para um parente.
Depois que vários de seus apelos para mostrar
que estava vivo foram ignorados, ele encenou o próprio velório e tornou
seu drama público. Em 1994, Yadav conseguiu finalmente provar que não
estava morto.
Ao perceber que muitas pessoas enfrentavam o
mesmo dilema, ele criou a Sociedade das Pessoas Mortas ('Mritak Sangh',
em hindi), no distrito de Azamgarh. A organização promove "protestos do
esqueleto" em cidades do norte do país e divulga petições para ajudar
pessoas que querem anular suas certidões de óbito falsas.
Cartaz do "Protesto dos esqueletos".
A iniciativa de Yadav já conseguiu "devolver a vida" a centenas de pessoas que conseguiram retomar suas terras e a dignidade.
Mas muitos indianos ainda lutam na Justiça para
provar que estão vivos. Paras Nath Gupta, de 65 anos, mora em uma casa
alugada na cidade de Varanasi, onde trabalha como contador.
Ele perdeu a casa que havia herdado de seus
ancestrais depois que foi declarado morto por seu irmão. Ele afirma que
todas as vezes que tentou voltar à sua propriedade foi ameaçado de morte
por parentes.
A maioria dos "mortos vivos" é analfabeta. A
extensão do problema é tamanha que autoridades da Justiça indiana
reservam um dia por mês para atender pessoas com ações judiciais ligadas
a disputas agrárias.
Fonte:BBC / Brasil
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