Governo prendeu cerca de 35 membros da tripulação do
navio.
Cuba admitiu estar por trás de um carregamento militar que foi
descoberto dentro de um barco com a bandeira da Coreia do Norte retido pelo
governo do Panamá.
O navio Chong Chon Gang, procedente de Cuba, foi detido na semana passada
quando se aproximava do Canal do Panamá com armas não declaradas escondidas sob
um carregamento de açúcar.
O governo do Panamá disse que a embarcação contrabandeava "um equipamento
sofisticado de mísseis" através do canal.
Na noite dessa terça-feira, o ministro de Relações Exteriores de Cuba disse
em comunicado que o navio levava armas obsoletas cubanas para serem consertadas
na Coreia do Norte.
Sanções da ONU impedem que a Coreia do Norte exporte e importe armas. No caso
das importações, apenas armamentos leves são permitidos.
Entenda o que se sabe até agora sobre o incidente:
O que aconteceu?
O ministro da Segurança do Panamá, José Raúl Mulino, disso à BBC que "o barco
foi detido na quarta-feira passada, por causa de uma informação relacionada com
drogas".
No entanto, ele afirmou que os armamentos foram descobertos na
segunda-feira.
"O fiscal antidrogas foi quem deu a ordem. No entanto, como houve resistência
e violência da tripulação ─ o capitão tentou suicidar-se duas vezes ─ tivemos
esse problema até o sábado à noite, quando o barco já estava no porto e a
tripulação fora do barco. Pudemos então começar a trabalhar sem parar, como se
está trabalhando", disse o ministro.
Na terça-feira à noite, um comunicado oficial do Ministério das Relações
Exteriores cubano admitiu que o navio levava armas obsoletas de Cuba para serem
consertadas na Coreia do Norte.
No entanto, a nota diz que Cuba reafirma seu compromisso com "a paz, o
desarmamento, incluindo o desarmamento nuclear, e o respeito pelas leis
internacionais".
O que se sabe sobre o carregamento?
Navio levava mísseis e aviões de caça cubanos para a Coreia do
Norte.
Cuba afirmou que o navio carregava 240 toneladas de "armamento de defesa
obsoleto" ─ dois complexos de mísseis antiaéreos, nove mísseis divididos em
partes menores, dois aviões de caça MiG 21-Bis e 15 motores de MiG.
O comunicado cubano disse que as armas haviam sido fabricadas em meados do
século 20. Elas passariam por uma manutenção na Coreia do Norte e seriam levadas
de volta ao país.
"Os acordos assinados por Cuba nesse campo incluem a necessidade de manter
nossa capacidade defensiva para preservar nossa soberania nacional", diz a
nota.
O país afirmou ainda que o navio estava carregado com cerca de 10 mil
toneladas de açúcar.
O governo do Panamá estava descarregando o navio para investigar seu
conteúdo. "É uma barbaridade de açúcar e como os tripulantes danificaram os
guindastes do próprio barco, é preciso tirá-la com guindastes de fora e com mão
de obra humana, saco a saco. É um trabalho grande", disse o ministro de
Segurança José Mulino.
O presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, fez o anúncio da detenção do
barco em sua conta no Twitter.
Martinelli afirmou não é permitido navegar através do Canal do Panamá com
armas de guerra não declaradas.
O navio norte-coreano deixou o extremo leste da Rússia em abril e cruzou o
oceano Pacífico com seu sistema de localização automática desligado ─ uma
manobra "suspeita", segundo o correspondente de segurança da BBC, Frank
Gardner.
O que aconteceu com o barco e com a tripulação?
As autoridades detiveram cerca de 35 membros da tripulação, quem teriam
resistido fortemente, segundo Martinelli.
A agência de notícias Reuters cita uma entrevista do presidente a um canal de
televisão do país, em que ele teria dito que o capitão do navio tentou o
suicídio depois que a embarcação foi apreendida.
Os tripulantes e o capitão foram levados à ex-base aeronaval americana de
Sherman, que agora está sob a direção do Serviço Aeronaval do Panamá.
O ministro de Segurança, José Raúl Mulino, afirmou que o governo consultará a
ONU para determinar a que organismo teria que entregar os prisioneiros caso se
confirmasse o contrabando de armas de guerra.
O navio Chong Chon Gang já havia sido objeto de controvérsias em anos
anteriores.
Hugh Griffiths, especialista em tráfico de armas do Instituto Internacional
de Pesquisas da Paz de Estocolmo, na Suécia, diz que a embarcação havia sido
capturada anteriormente por traficar drogas e munições, segundo a agência de
notícias Associated Press.
Presidente panamenho anunciou a retenção do barco pelo
Twitter
.
O barco foi retido em 2010 na Ucrânia e foi atacado por piradas na costa da
Somália em 2009. Nesse mesmo ano, chamou a atenção do Instituto por causa de uma
parada que fez em Tartus, o porto sírio onde a Rússia tem uma base naval.
Que restrições pesam sobre a Coreia do Norte em relação a
armamentos?
As sanções da ONU impedem a Coreia do Norte de exportar e importar
armamentos. No caso das importações, só armas leves são permitidas.
As restrições se intensificaram logo depois que Pyongyang realizou seu
terceiro teste nuclear em 12 de fevereiro, quando os Estados Unidos passaram
inspecionar navios norte-coreanos suspeitos.
Nos últimos anos, diversos barcos norte-coreanos foram confiscados sob o
regime de sanções da ONU.
Em julho de 2009, um navio da Coreia do Norte rumo à Birmânia (também
conhecida como Mianmar) foi obrigado pela marinha americana a voltar a seu porto
quando se suspeitou que ele levava armas.
Especialistas acreditam que Pyongyang está desenvolvendo uma ogiva nuclear
suficientemente pequena para ser colocada em um míssil de longo
alcance.
BBC = BRASIL.
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