Hollande defendeu ação em represália a suposto ataque químico na Sìria.
A França está pronta para uma
intervenção militar na Síria mesmo sem a participação da Grã-Bretanha,
declarou o presidente francês em uma entrevista ao jornal Le Monde
publicada nesta sexta-feira.
"Todas as opções estão sobre a mesa. A França quer uma ação proporcional e dura contra o regime de Damasco", afirmou Hollande.
Na quinta-feira, os deputados
britânicos rejeitaram a realização de uma ofensiva militar na Síria. Na
França, surgiram discussões sobre a atitude que o governo adotaria após a
recusa britânica.
"Não sou favorável a uma intervenção
internacional que visaria liberar a Síria ou derrubar um ditador, mas
estimo que um regime que comete o irreparável contra sua população deve
ser interrompido", afirma o líder francês ao Le Monde.
"O massacre químico de Damasco (em 21 de agosto)
não pode ficar impune. Isso seria correr o risco de uma escalada que
banalizaria o uso dessas armas e ameaçaria outros países", ressalta
Hollande.
Ele afirma ainda que terá nesta sexta-feira uma
"discussão aprofundada" sobre a questão síria com o presidente
americano, Barack Obama.
'Comprovado'
Segundo Hollande, a utilização de armas químicas
na Síria "é um fato comprovado". A questão agora, para a França, é
descobrir os autores desse ato e o governo francês afirma dispor de
"indícios" da participação do regime sírio no ataque com gás sarin nos
arredores de Damasco em agosto.
Hollande declara ao Le Monde que uma intervenção
militar na Síria poderá ocorrer antes de quarta-feira, data em que o
parlamento francês se reúne em sessão extraordinária para discutir a
situação na Síria.
O presidente francês exclui, no entanto, uma
intervenção militar antes da saída dos inspetores da ONU da Síria, que
deve ocorrer no sábado.
Para Hollande, se o Conselho de Segurança da ONU
não adotar uma resolução autorizando a ofensiva, uma coalizão de países
será formada mesmo assim para uma intervenção. "Ela deverá ser a mais
ampla possível e terá o apoio da Liga Árabe e dos europeus", segundo
ele.
Parlamentares divididos
A classe política francesa, no entanto, está dividida em relação à ação militar da França na Síria.
Os opositores à guerra afirmam que há falta de
provas de que o líder sírio, Bashar al-Assad, tenha utilizado armas
químicas. Eles também preferem privilegiar uma "solução política" para
resolver a situação.
Algumas personalidades do partido UMP, da
oposição, como o ex-ministro das Relações Exteriores Alain Juppé e o
secretário-geral do partido, François Copé, aprovam a intervenção
militar francesa na Síria, mas solicitam uma ação pontual e limitada
para evitar riscos de que a violência se agrave na região.
A população francesa também está dividida quanto
a uma intervenção militar na Síria. Uma pesquisa do instituto CSA,
realizada em 27 e 28 de agosto, revela que 45% dos franceses se dizem
favoráveis a uma intervenção militar das Nações Unidas no país, enquanto
40% são contrários.
Segundo outra pesquisa, do instituto IFOP para o jornal Le Figaro, 55% dos franceses são favoráveis à intervenção da ONU na Síria e 45% se opõem.
Mas ao serem questionados especificamente sobre
uma intervenção militar da França na Síria, o número de pessoas contra é
maior: 59%, segundo a mesma pesquisa do instituto IFOP.
"É a resposta (militar) e não a inércia que irá
impor uma solução política", afirma Hollande, ao justificar a
necessidade de uma intervenção na Síria.
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