
A ocorrência do suicídio é tão antiga quanto à história humana registrada. É descrito nos escritos egípcios, hebreus e romanos da antiguidade, foi discutido pelos filósofos gregos, e tem sido assunto de preocupação para certo número de autores e teólogos no decurso da era cristã inteira. A Bíblia registra sete casos de suicídio, dos quais a morte de Saul e o enforcamento de Judas Iscariotes são provavelmente aqueles que mais se conhecem.
Em nenhum lugar da Escritura recebemos uma avaliação direta do suicídio, embora o assassinato seja claramente condenado e, à medida que se pode considerar o suicídio como sendo o assassinato de si mesmo, é um pecado contra Deus. Ele criou a vida mediante Seu Filho (Hb 1.1-3), Ele sustenta a vida e presumivelmente é Ele — e não nós — que tem o direito exclusivo de tirar uma vida conforme Sua soberania divina.
Para muitas pessoas, no entanto, chega um momento ou momentos na vida em que as crises são tão ruins, e as situações parecem ser tão desesperadoras que a morte é vista como sendo a única saída.
Para a maioria de nós, pode ser amedrontador o reconhecimento de que, nalguma ocasião, podemos conversar com alguém que seriamente considera o suicídio. Não é incomum, portanto, quando um ajudador em potencial se retrai, esperando não ter escutado corretamente ou que talvez a pessoa vá para outro lugar com seu problema.
Em certa pesquisa, foi averiguado que dois terços de todos os suicidas comunicaram suas intenções antes de matar-se, mas que as pessoas que receberam as comunicações ou entraram em pânico, ou nada fizeram. Os amigos, parentes c outros que poderiam ter ajudado, não o fizeram por ficarem tensos, preocupados, ou sem certeza quanto àquilo que deveriam fazer. Aparentemente, achavam que o problema desapareceria, mas ao fazer assim, negligenciaram um grito por socorro. Depois do suicídio, estas pessoas provavelmente se sentiram muito culpadas.
A decisão de suicidar-se é primariamente uma indicação de que alguém está numa crise. Basicamente, alguém está clamando por socorro, e nossa tarefa é providenciar este socorro ao escutar e responder com solicitude e honestidade. O que realmente necessitamos sugere-se, são "olhos e ouvidos atentos, boa intuição, uma pitada de sabedoria, uma capacidade de agir de modo apropriado, e resolução profunda." Parece fácil, mas realmente não é suficientemente específico.
Alguns dos bons conselhos que servem para qualquer tipo de ação deste tipo são como estes dados num pequeno panfleto publicado pela Comissão de Negócios Públicos de Nova York:
* Leve, sim, a sério qualquer ameaça, comentário ou ato suicida. O suicídio não é brincadeira. Não tenha medo de perguntar à pessoa se realmente está pensando em suicidar-se. A alusão não implantará a ideia na sua cabeça. Pelo contrário, ficará aliviada a saber que está sendo levada a sério, que está sendo entendida melhor do que imaginava.
* Não desconsidere uma ameaça suicida, nem subestime sua importância. Nunca diga: "Esqueça isso. Você não vai se matar. Com certeza, não quer dizer isso, realmente. Você não é o tipo certo." Observações deste tipo podem ser um desafio para uma pessoa suicida. Tal pessoa precisa de atenção, não de rejeição. Qualquer pessoa que está suficientemente desesperada pode ser "o tipo".
* Não procure chocar ou desafiar a pessoa, dizendo: "Oh! vá adiante e se mate." Uma observação impaciente deste tipo talvez seja difícil para refrear se uma pessoa já repetiu muitas vezes suas ameaças, ou tem sido incômoda a sua presença. Mesmo assim, é um convite mal-pensado ao suicídio.
* Não procure analisar o comportamento da pessoa e confrontá-la com interpretações de suas ações e sentimentos durante o momento da crise. Um profissional deve fazer isto, em ocasião posterior.
* Não argumente com o indivíduo acerca de se deve viver ou morrer. Não se pode ganhar este argumento. A única posição possível que se pode assumir é que a pessoa deve viver.
* Não tome por certo que o tempo sara todas as feridas, e que tudo melhorará por si só. Pode acontecer, mas não se pode contar com isso.
* Seja, sim, disposto a escutar. Talvez você já tenha ouvido a história, mas ouça-a de novo. Fique genuinamente interessado, seja forte, estável e firme. Prometa à pessoa que tudo será feito para conservá-la com vida, pois é disto que mais precisa.
* Não é conversa sem base, mas sim lembrar que temos uma fonte divina de força e de sabedoria para ajudar-nos e para operar através de nós à medida que falamos com pessoas perturbadas. Lembre-se de que a melhor maneira de ajudar as pessoas é ser um amigo e empregar todos os recursos disponíveis para ajudar a pessoa aflita a vencer com sucesso a crise.
Em toda nossa ajuda, seja em ajudar a nós mesmos ou aos outros, nunca percamos de vista nosso alvo. Tendo recebido poder da parte de Cristo, devemos ser Seus instrumentos em transformar vidas.
A mudança começa conosco, como indivíduos. Somos realmente seguidores de Cristo? Estamos crescendo como discípulos? Estamos alcançando outras pessoas com a mensagem do evangelho? Estamos fazendo esforços para ajudar outros membros do corpo de Cristo à medida que crescem para a maturidade cristã? Estamos contribuindo, como Paulo, ao treinamento doutras pessoas (inclusive os membros de nossa família) de tal modo que elas também, por sua vez, possam ser' discípulos e discipuladores?
Se a resposta a qualquer uma destas perguntas for "não", então precisamos fazer mudanças em nossas próprias vidas. Se podemos responder "sim", já somos ajudadores das pessoas, quer o reconheçamos, quer não.
Trechos do livro Ajudando uns aos outros pelo aconselhamento, de Gary R. Collins
Fonte:AD Bereia
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